Introdução Alimentar para Bebés Amamentados em Exclusivo +6 meses

Para bebés que iniciam a introdução alimentar aos 6 meses de vida, não é tão fácil encontrar orientações online (eu pelo menos encontrei muito pouco). Por necessidade de voltar ao ativo ou porque simplesmente é indicação médica, em Portugal é mais comum encontrarmos quem já tenha iniciado papas e sopas a partir dos 4 meses. E para quem apenas inicia a introdução alimentar aos 6 meses?! Por onde começar?

Este é o primeiro artigo onde irás encontrar as minhas dicas, experiências e metodologias de mãe e profissional indicadas e centradas em bebés que iniciam a diversificação alimentar a partir dos 6 meses. 

Após os 6 meses de vida os alimentos sólidos devem ser introduzidos, pois existe a necessidade de complementar o leite materno com outros alimentos e nutrientes, que não estão presentes no leite materno em proporções suficientes. Nesta fase o intestino do bebé já está preparado para receber novos alimentos.

Considero este um momento chave: a criança a partir daí terá contato com diferentes sabores, texturas, paladares e sensações e os pais, principalmente, são os responsáveis pela exposição a este mundo dos alimentos!

Para isso, algumas questões são importantes:
O bebé precisa de exemplo, e de bons exemplos dos pais. De nada adianta forçar o teu filho a comer verduras se tu não comes. Se falta instituir bons hábitos dentro de casa, este é o momento. Considera uma revolução a partir daí, se ela já não aconteceu.

Vamos devagar... porque estamos com pressa?! 

Como qualquer mudança, a introdução de alimentos leva tempo. A criança pode rejeitar o alimento na primeira, segunda ou terceira vez…e isso é completamente normal! Ou ela pode simplesmente aceitar tudo e pedir mais! O importante aqui é respeitar o ritmo do bebé. E cada um tem o seu. Não adianta quereres comparar o teu filho com o filho do primo da vizinha, isso só aumenta a nossa ansiedade com a questão.

Observa se o teu bebé está preparado
Ele já se senta sozinho? Apoia o tronco? Pega em objetos e os leva à boca? Passa objetos de uma mão para outra? Essas habilidades que a criança adquire próximo da idade dos 6 meses são indicativos que a criança está pronta para receber alimentos complementares ao leite materno. Um outro reflexo que começa a ser perdido é o reflexo de protrusão da língua. Podemos observá-lo quando colocamos algo na boca da criança ela abre a boca e coloca a língua para fora, como se estivesse empurrar o objeto/alimento. Quando a criança começa a perder esse reflexo, também é sinal que está preparada.

Oferece uma ampla gama de alimentos, variados e saudáveis

A criança está a formar o seu paladar e gostos, e se ofereceres alimentos como verduras, legumes e frutas das mais variadas, a criança estará habituada a esses sabores e melhor será a sua aceitação no futuro. A criança precisa provar o amargo, o azedo, o salgado e o doce. Não precisas ter “medo” dela não gostar de limão ou de rúcula, por exemplo. Ela precisa e deve prová-los. No fim, todos somos um pouco seletivos, não é verdade? Comemos o que gostamos. Se pudermos gostar dos alimentos saudáveis e não “sofrer” para comê-los, melhor!

Deixa o bebé ter uma experiência com os alimentos
A criança deve sentir o sabor e a textura dos alimentos! Deixa-a participar nas refeições. Deixa-a pegar os talheres, que devem ser próprios da idade e de formato anatómico, livres de bisfenol A e outros componentes que podem causar alterações no metabolismo da criança. Se ela quiser pegar no alimento, deixa que isso aconteça também, desde que respeite as questões de segurança alimentar (tema para outro dia…).

E o leite materno? Continua? 
Sim! O leite materno continuará sendo em horário livre, porém, não em exclusivo. Podes e deves oferecer leite materno após as refeições da criança, sem nenhum problema. Não atrapalha a absorção de nutrientes e ao contrário do que muita gente diz, o leite materno não se transforma em água. Os alimentos sólidos são complementares ao leite materno, que continua a ser o alimento principal.
Os legumes podem ser divididos em 4 grupos. Para elaborar uma sopa diversificada, opta por um legume de cada grupo. Se aumentares/diminuíres a quantidade de determinado legume, a intensidade de sabor pode ser evidente, por isso, fica ao teu critério e ao critério do bebé.

Inicialmente, podemos dividir os legumes nestes 4 grupos:
Grupo Degustação: cebola, alho, ou alho-francês
Grupo Vitamina: cenoura ou abóbora
Grupo Fibras: todos os vegetais de folhas verde
Grupo Sais Minerais: batata, courgette, chuchu ou couve-flor.


Posteriormente, poderás adicionar como o 5ºgrupo as leguminosas: feijão, grão, ervilhas ou lentilhas. Este grupo deve idealmente ser introduzido apenas a partir dos 9 meses.
Além disto, devo referir que, deves atrasar a introdução dos espinafres, nabiça, nabo, aipo e beterraba pelo risco de contaminação com nitratos.

Carne
A partir dos 7 meses, deves introduzir carne. Inicia com carne branca e depois vermelha: galinha, peru, coelho, avestruz e depois borrego e vaca. Adiciona a carne apenas na fase final de cozedura dos legumes.

Peixe
Introduz o peixe na dose 15-20g/dia, alternando com carne, a partir dos 7 meses. Utiliza peixe magro, fresco ou congelado: pescada, maruca, pargo, red-fish- cherne, abrótea, linguado, besugo entre outros. O salmão e outros como cavala ou congro, só deverão ser introduzidos após os 10 meses.

A gordura é de extrema importância para a estruturação das membranas celulares e maturação do sistema nervoso central e imunológico. Coze os legumes com água (não adicionar sal), após estarem cozidos tritura tudo com a água da cozedura até obteres um puré cremoso. Nesta etapa não deverá ter grumos, facilitando assim a aceitação. Na sopa de legumes deverás colocar 2,5ml a 5ml (1 colher de café - 1 colher de chá) de azeite em cru.
Distribui por doses de no mínimo 150ml (quantidade estabelecida para bebés com 6 meses).
Coloca de imediato no frigorífico, sem deixar arrefecer, para evitar proliferação de bactérias e reduzir a probabilidade de viroses.


Mantém sempre um acompanhamento com um profissional de saúde especialista em saúde infantil e idealmente um nutricionista. Eles poderão orientar-te melhor neste fase, como dar opções de alimentos saudáveis, dicas de preparação de alimentos e receitas interessantes, com elaboração de um menu indicado para o metabolismo, e se for o caso, historial clínico do teu bebé.

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