A Arte é uma Terapia


Diz Olá a 2021! A arte-terapia é um auto processo que tenho passado no último ano. Não que a arte já não me fosse aliada, mas era uma atividade adormecida, em stand by. Conhece um pouco melhor em que consiste a arte-terapia.

Com o nascimento do Dinis, senti necessidade de aliar a arte ao meu processo de relaxamento nas poucas horas vagas que tenho. Com o passar do tempo, priorizei e estabeleci metas, embora sem serem perentórias, que tornaram ainda mais consciente a importância da arte na minha vida. Para o tempo disponível, tento estabelecer um equilíbrio entre a escrita, a fotografia, a pintura e o design gráfico.

No início do ano de 2020, um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) garantiu que a arte faz bem à saúde, depois de terem sido analisados 900 estudos sobre o tema. Na altura, Piroska Östlin, diretora regional para a Europa da OMS, referiu que “trazer a arte para a vida das pessoas através de atividades como dança, canto, ir a museus e a concertos é uma estratégia adicional para melhorar a saúde física e mental”.

Mas, se nos fixarmos nesta última, a arte pode mesmo ser uma terapia formal – a arte-terapia –, cada vez mais usada no tratamento de casos de ansiedade, stresse, traumas, depressões e psicoses várias. O melhor? Para retirar dela todos os benefícios não tens de ser dotada para a arte, apenas deixares-te levar.

O processo triangular da arte-terapia
O bem-estar emocional e psicológico do paciente é o objetivo principal da arte-terapia. Mas o que a distingue da psicoterapia?

Ana Monteiro, arte-psicoterapeuta e formadora na Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia (SPAT) explica que “a diferença desta abordagem terapêutica é a utilização da criação artística como mediadora do processo. Normalmente, na psicoterapia verbal, temos o paciente e o terapeuta numa relação dual, na qual se privilegia essencialmente a palavra e o diálogo; na arteterapia, temos uma relação triangular, ou seja, temos o psicoterapeuta, o paciente e a criação artística, e esta facilita a comunicação porque, muitas vezes, através da palavra, a pessoa defende-se e rodeia, não se conseguindo aceder a conteúdos mais inconscientes, mais reprimidos. Através de um desenho, de uma pintura ou de uma escrita automática, a pessoa vai-se apercebendo do seu mundo interno”.

Desenho, pintura, expressão corporal, escultura, teatro e escrita são algumas das disciplinas artísticas que podem ser usadas nas sessões e cabe ao terapeuta saber quais deve usar. “Sabemos as necessidades da pessoa que temos à nossa frente e o que pretendemos estimular”, acrescenta Ana Monteiro.

O processo triangular da arte-terapia
O bem-estar emocional e psicológico do paciente é o objetivo principal da arte-terapia. Mas o que a distingue da psicoterapia?

Ana Monteiro, arte-psicoterapeuta e formadora na Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia (SPAT) explica que “a diferença desta abordagem terapêutica é a utilização da criação artística como mediadora do processo. Normalmente, na psicoterapia verbal, temos o paciente e o terapeuta numa relação dual, na qual se privilegia essencialmente a palavra e o diálogo; na arteterapia, temos uma relação triangular, ou seja, temos o psicoterapeuta, o paciente e a criação artística, e esta facilita a comunicação porque, muitas vezes, através da palavra, a pessoa defende-se e rodeia, não se conseguindo aceder a conteúdos mais inconscientes, mais reprimidos. Através de um desenho, de uma pintura ou de uma escrita automática, a pessoa vai-se apercebendo do seu mundo interno”.

Desenho, pintura, expressão corporal, escultura, teatro e escrita são algumas das disciplinas artísticas que podem ser usadas nas sessões e cabe ao terapeuta saber quais deve usar. “Sabemos as necessidades da pessoa que temos à nossa frente e o que pretendemos estimular”, acrescenta Ana Monteiro.

Momentos de crise
A arte-terapia pode ser aconselhada “a qualquer pessoa (crianças, jovens e adultos) e é usada para ultrapassar a ansiedade, o stresse, traumas, depressões e psicoses várias”, diz a arte-terapeuta, que adianta que esta terapia é muito procurada em momentos de crise, exemplificando: “Pessoas que ficaram desempregadas ou que estão a passar por um divórcio”.

Por outro lado, Ana Monteiro realça ainda que o trabalho feito com “idosos, mesmo os que têm demências, tem tido resultados muito positivos”.

E terá a Covid-19 aumentado o número de pacientes? “Estamos numa fase muito específica, uma vez que a pandemia veio intensificar muitos sintomas dos pacientes que já estavam em acompanhamento, mas também desencadeou ansiedade e depressão noutras pessoas que nos procuraram pela primeira vez. Tivemos de adaptar as sessões ao online, meio que privilegiamos atualmente, criámos grupos de partilha com uma sessão online semanal, onde os participantes partilham a sua criação em resposta ao desafio que lhes é dado. Está a ser uma experiência muito reveladora”, responde a formadora da SPAT.

Foi também no digital que se realizou o congresso anual desta organização, que reuniu especialistas de vários países. Curiosamente, o tema escolhido antes da pandemia foi Do Virtual ao Real, para mostrar o potencial que a tecnologia oferece para o desenvolvimento da arte e do processo criativo, tanto na esfera terapêutica como na vida.
Expressão emocional

Reduzir os níveis de stresse e de ansiedade, ter um melhor controlo das emoções e aumentar a concentração são alguns dos benefícios da arte-terapia.

“A expressão emocional é muito importante e a leveza com que as pessoas saem de uma sessão mostra-lhes a tensão que tinham acumulada no corpo. Além disso, a criação artística é um objeto concreto que fica, enquanto a palavra pode ser esquecida. No caso do terapeuta, o facto de haver um objeto também é importante para ter uma melhor perceção da evolução do processo”, refere Ana Monteiro.

A arte-terapia pode ser feita individualmente ou em grupo e as sessões, que duram 50 minutos, começam com uma conversa. “O paciente fala da sua semana, do que pode trazer para a terapia e do acontecimento que quer analisar. Desse primeiro contacto surge um tema (tristeza, irritação, falta de paciência, etc.) e a pessoa é convidada a criar sobre ele. Podemos perguntar de que cor é a tristeza ou que movimento é que esta lhe sugere”, descreve a arte-terapeuta.

O paciente fica entregue a si mesmo, mas há quem goste de ir falando à medida que vai criando. “O terapeuta observa todo o processo, ou seja, se o paciente demora ou se é rápido na criação, a forma como executa a criação artística… Tudo isso vai dar informação para a partilha verbal sobre o que foi criado e o que se sentiu ao fazê-lo, a última fase da sessão”, explica a arteterapeuta.

Ana Monteiro diz ainda que, em algumas sessões, pode-se integrar outro mediador: “Por exemplo, posso pedir para se criar um poema sobre a pintura ou juntar uma palavra a um desenho”.

Atenção à saúde mental
E estarão as pessoas mais atentas à saúde mental atualmente? “Ainda encontramos alguma resistência porque, por um lado, há quem continue a pensar que a terapia é só para quem tem uma perturbação mental; por outro, há cada vez mais a ideia de que podemos deprimir em qualquer altura da nossa vida, que todos temos uma ansiedade subjacente que levada a determinado nível pode trazer impeditivos a um bom quotidiano e que podemos alterar isso com terapia”, sublinha a formadora da SPAT.

Voltando ao relatório da OMS, questionámos Ana Monteiro sobre as vantagens de ter a arte como um hobby, de ir a exposições e a concertos.

“Mesmo como espetadores, a arte, tal como outras atividades que nos dão prazer, como a cozinha ou a jardinagem, traz bem-estar, relaxa e estimula o nosso processo criativo, mas um processo de arte-terapia é completamente diferente, porque precisa do terapeuta para guiar e dar significado à criação”, remata a arteterapeuta.

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